Povo Basco e Povo Trabalhador Basco. A estrutura de classes do Sul de Euskal Herria nos anos 90 do Século XX

      Este texto é umha reproduçom da Análise semanal ACRESCENTADA correspondente à semana de 2 a 9 de Março de 1998 do Serviço Analítico-Informativo da REDE BASCA VERMELHA (Umha olhadela oculta à face oculta -basca- do Estado espanhol) que se envia via e-mail aos seus assinantes. Reproduz-se cá porque o autor das análises (o sociólogo Justo de la Cueva) sintetiza nele a sua análise quantitativa e qualitativa da estrutura de classes do Sul de Euskal Herria "circa" a primeira metade dos anos 90 do século XX.

      ESPANHA NOM RESPEITA A VONTADE DO POVO BASCO, EIS O PROBLEMA. Reflexom ao fio do caso de Trebiño que votou SIM para se reintegrar a Araba numha consulta proibida polo Governo espanhol e das leis espanholas violadas por Espanha.

      10-3-1998 Análise ACRESCENTADA da semana de 2 a 8 de Março de 1998 do Serviço analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA


      Esta vai ser umha análise semanal ACRESCENTADA atípica. Atípica pola especial dedicaçom a que nos está forçando atender, nom como quereríamos mas como na medida das nossas forças chegamos a fazer, a campanha para tentarmos evitar que Josu Beaumont seja ilegalmente entregado polo Estado francês às forças de segurança espanholas que já torturárom brutalmente outros companheiros que sofrêrom antes dele essa ilegalidade.

      Essa especial dedicaçom empurrou-nos a remeter na Terça-feira a todos os assinantes do Serviço Analítico-informativo a análise semanal e adiar até a noite da Quarta a elaboraçom da ACRESCENTADA que agora acometo.

      Ao fio dessa situaçom modifico por esta vez o estilo das análises ACRESCENTADAS. Nom vai ser esta, como costumam ser, um texto que tem a mesma estrutura da análise semanal (de facto usualmente as análises semanais SE TIRAM da ACRESCENTADA fazendo leves modificaçons para "empalmar" os parágrafos tirados da mesma.

      Desta vez a ACRESCENTADA tem umha outra estrutura. Recomendo aos assinantes que arquivam estas análises que arquivem esta JUNTO da semanal que foi remetido a todos. Porque NOM vou ocupar o espaço desta análise ACRESCENTADA num acréscimo de dados e reflexons à volta do contido em cada parágrafo da semanal, mas numha reflexom de carácter mais abrangente.

      Que parte de duas afirmaçons contidas no princípio da análise semanal. Ei-las: respeitar a vontade do povo basco ou nom a respeitar, eis a questom chave do doloroso conflito que enfrenta Espanha com Euskal Herria. Toda a semana passada estivo presente de múltiplas formas esse facto fulcral."

      O que proponho agora a quem me ler é que pensemos com vagar na frase "a vontade do povo basco" contida no parágrafo anterior e que usamos todos com freqüência.

      Com efeito, é claro que o nó do conflito consiste em que o Estado espanhol NOM respeita a vontade do povo basco. Em que fai prevalecer a vontade do espanhol sobre ela. O exemplo mais nítido e inatacável é o do referendo da OTAN celebrado em 1986.

      Em todos e cada um dos quatro herrialdes (Araba, Bizkaia, Gipuzkoa, Nafarroa) e, logicamente, no conjunto dos quatro venceu o NOM.

      E, porém, o território de Hego Euskal Herria está hoje, à força e em contra da maioritária vontade da sua populaçom, integrado nos dispositivos, planos e actuaçons da OTAN.

      O recente caso de Trebiño é, noutra escala, um outro exemplo clamoroso. O governo do Estado espanhol proíbe CONSULTAR a vontade dos seus vizinhos. E, umha vez consultados apesar dessa proibiçom, declara-a irrelevante, inútil, ociosa, ilegal, inválida e outras graças mais.

      O grotesco episódio do PLANO ARDANZA é um outro exemplo nítido. O Presidente do Governo espanhol rejeita-o. O farol que guia a opiniom da hoje maioritária direita espanhola (ABC) explica umha e outra vez nos seus editoriais que esse PLANO e inaceitável porque atribui ao "ámbito de decisom basco" (à vontade do povo basco exprimida polos seus representantes) umha capacidade que nom tem: decidir o futuro de Euskal Herria.

      Tudo isso está muito claro. Sobre o que agora quero alertar é sobre o risco que NÓS corremos ao nom reflectirmos suficientemente sobre a frase "a vontade do povo basco" que tam amiúde usamos e sobre os conceitos implicados nela.

        De quê é que falamos quando falamos de "povo basco" e da "vontade do povo basco"?

        A burguesia basca. Quem e quantos som?

        O bloco social de apoio da burguesia basca.

        O Povo Trabalhador Basco.

        As sobreviventes classes pré-capitalistas bascas, parte do Povo Trabalhador Basco.

        A classe operária basca, grosso do Povo Trabalhador Basco.

        A fraqueza da maioria. A alienaçom de boa parte do Povo Trabalhador Basco.

        O estremecedor e esperançador do momento actual.

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